12 de novembro de 2010


Hoje, se quiser, se puder, se souber, me fala de você. Da essência vestida com essa roupa de gente com a qual você se apresenta. Fala dos seus amores, tanto faz se estão perto do seu corpo ou somente do seu coração. Fala sobre as coisas que costumam fazer você sintonizar a frequência do seu riso mais gostoso. Fala sobre os sonhos que mantêm o frescor, por mais antigos que sejam. Fala a partir daquilo em você que não desaprendeu o caminho das delícias. Do pedaço de doçura que não foi maculado. Da porção amorosa que saiu ilesa à própria indelicadeza e à alheia. A partir daquilo em você que continuou a acreditar na ternura, a se encantar e a se desprevenir, apesar de tantos apesares. Conta sobre as receitas que lhe dão água na boca. Sobre o que gosta de fazer para se divertir. Conta se você reza antes de adormecer.

Hoje, me fala de você. Dos momentos em que a vida lhe doeu tanto que você achou que não iria aguentar. Fala das músicas que compõem a sua trilha sonora. Dos poemas que você poderia ter escrito, de tanto que traduzem a sua alma. Senta perto de mim e mesmo que estejamos rodeados por buzinas, gente apressada, perigos iminentes, faz de conta que a gente está conversando no quintal de casa, descascando uma laranja, os pés descalços, sem nenhum compromisso chato à nossa espera. A gente já brincou tanto de faz-de-conta quando era criança, onde foi que a gente esqueceu como se chega a esse lugar de inocência? Fala da lua que você admirou outra noite dessas, no céu. Da borboleta que lhe chamou à atenção por tanta beleza, abraçada a alguma flor, como se existisse apenas aquele abraço. Diz se quando você acorda ainda ouve passarinhos, mesmo que não possa identificar de onde vem o canto. Diz se a sua mãe cantava para fazer você dormir.


Ana Jácomo


Em 12/11/2010

9 de novembro de 2010


'Confesso que esperava um sorriso ou qualquer outra manifestação dessas de afeto.
Mas não houve nada disso.'

Caio F.


Em 09/11/2010

6 de novembro de 2010

(H


Desisti de sustentar uma imagem e procurar o amor da minha vida no caminho. Quem quiser olhar pra mim vai ter que se conformar com minhas Havaianas roxas e meu cabelo despenteado, minha desatenção e minha falta de correspondência.

Verônica H.


Em 06/11/2010


Não ofereço perigo algum: sou quieta como folha de outono esquecida entre as páginas de um livro, sou definida e clara como o jarro com a bacia de ágata no canto do quarto – se tomada com cuidado, verto água limpa sobre as mãos para que se possa refrescar o rosto mas, se tocada por dedos bruscos, num segundo me estilhaço em cacos, me esfarelo em poeira dourada. Tenho pensado se não guardarei indisfarçáveis remendos das muitas quedas, dos muitos toques, embora sempre os tenha evitado aprendi que minhas delicadezas nem sempre são suficientes para despertar a suavidade alheia. Mesmo assim, insisto..."

Caio F.


Em 06/1/2010

'Cada um é livre e sabe de si...'


Seria mais fácil sim, seguir a maré. Fazer tudo como os outros, sem questionar, sem me perguntar se gosto, sem me perguntar se verdadeiramente faz sentido pra mim. Somente seguir, e ser igual, e não diferir, e não buscar o que realmente mexe comigo, o que realmente me importa. Eu sei que é mais fácil, porque já estive lá do outro lado. Já fui boazinha, já obedeci, já fui a boa menina. Mas me matava por dentro, enquanto fingia sorrir por fora. Me diminuía e oprimia, porque me fazia negar minhas verdades. As asas brigavam aqui pra sair, pra me libertar. Mas ficar calada e seguir com a multidão evitava confrontos, e evitava ter que ficar o tempo todo me explicando pra todo mundo, algo que me cansa e tira minhas energias. Hoje não aceito mais, me libertei do casulo, mas ainda morro um pouco quando alguém me aponta o dedo e mostra minhas asas pretas, diferentes do colorido habitual. Choca as pessoas. Elas se ofendem, e eu nem sei direito porque. Porque verdadeiramente não me ofendo com o movimento das asas delas, nem com suas cores, suas nuances. Cada um é livre e sabe de si, de suas verdades, de suas necessidades, do tom das suas asas. Cabe todo mundo aqui, embora às vezes não pareça...

Caio F.


Em 06/11/2010

Minha lâmpada de cabeceira está estragada. Não sei o que é, não entendo dessas coisas. Ela acende e, sem a gente esperar, apaga. Depois acende de novo, para em seguida tornar a apagar. Me sinto igual a ela: também só acendo de vez em quando, sem ninguém esperar, sem motivo aparente. Para a lâmpada pode-se chamar um eletricista. Ele dará um jeito, mexerá nos fios e em breve ela voltará a ser normal, previsível. Mas e eu? Quem desvendará meu interior para consertar meus defeitos?

Caio Fernando Abreu

Em 06/11/2010

4 de novembro de 2010

...


'Esmagou o cigarro, baixou a cabeça como quem vai chorar. Mas não choraria mais uma gota sequer, decidiu brava.'

Caio F.


Em 04/11/2010

Que seja...


'Que seja doce a espera pelas mensagens, ligações e recadinhos bonitinhos.
Que seja (mais do que) doce a voz ao falar no telefone…'

Caio F.

Em 04/11/2010


Com sua licença...


'Sofrer dói. Dói e não é pouco. Mas faz um bem danado depois que passa. Descobri, ou melhor, aceitei: eu nunca vou esquecer o amor da minha vida. Nunca. Mas agora, com sua licença. Não dá mais para ocupar o mesmo espaço. Meu tempo não se mede em relógios. E a vida lá fora, me chama!'

Fernanda Mello


Em 04/11/2010

“Como é incômodo estar diante de uma pessoa com quem se trocou emoção intensa e depois cruzar com ele na rua e dizer apenas: tudo bem?”

Caio F.

Em 04/11/2010

 
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